CARÁCTER. DIGNIDADE. HONRA.

Sérgio Faias e Américo Gegaloto encabeçaram as listas do PS nas eleições autárquicas de 2025. Conseguiram descolar-se do ‘Partido da Câmara’, alcançando o maior número de votos para a Câmara (desde 2005) e alcançaram o maior número de votos de sempre (desde 1997), para a Assembleia Municipal. 

Os jornais regionais deram conta de que os vereadores Sérgio Faias e Bertina Duarte e, os deputados municipais Paulo Caetano e Afonso Pessoa, “anunciaram a sua saída" do PS por “não se reverem na orientação e métodos da nova liderança” da Concelhia. 

Na sessão da Assembleia Municipal realizada no passado dia 26 de Junho de 2026, o deputado Paulo Caetano retirou “toda a confiança ao partido” que representou desde 2017, afirmando que não “se revê nos ideais, nos princípios e até nos procedimentos” da actual equipa que venceu a Concelhia. 

O que me leva a questionar (numa mera curiosidade, nada mais) porque é que os restantes quatro deputados eleitos pelo PS, nas listas encabeçadas por Sérgio Faias e Américo Gegaloto, não tomaram a mesma decisão? 

A nova equipa da Concelhia reagiu em ‘Comunicado’ (perante estas saídas) afirmando que terão sido “surpreendidos pela notícia” e que respeitam a opção que os quatro eleitos pelo PS, agora independentes, decidiram tomar. 

A verdade é que, passada apenas uma semana sobre a eleição da nova equipa da Concelhia, o PS perde os dois vereadores que elegeu para a Câmara Municipal e, perde dois dos seis deputados que elegeu para a Assembleia Municipal. 

Se Sérgio Faias exercesse um cargo político com uma dimensão nacional e/ou internacional, a declaração que fez hoje, dia 30 de Junho de 2026, em reunião de Câmara, ficaria nos anais da história política do mundo. Faria parte da grelha noticiosa de todas as televisões, ser-lhe-iam dedicados dezenas de artigos nos jornais, tornar-se-ia viral nas redes sociais, seria tema para um sem número de comentadores de programas televisivos dedicados à análise e comentário político. 

Não é todos os dias (direi até que não é em dia nenhum) que um político eleito e em funções, se desvincula (incluindo dos órgãos distritais e nacionais) da máquina partidária que representou durante três décadas. Porquê? Porque não se revê na actual equipa que venceu a Concelhia. E tem a coragem de o dizer e de o explicar: na “política não pode valer tudo e os fins não podem justificar os meios”. 

Sérgio Faias não “reconhece autoridade” na actual equipa que venceu a Concelhia. Reconhecer-lhes-á legitimidade, dado que a maioria dos militantes do partido terá votado na equipa vencedora. Mas não lhes reconhece autoridade, para lhes obedecer e cumprir decisões com as quais não se identificaria. 

Sérgio Faias não trás para a praça pública (e bem) a lavagem de roupa suja interna. E prova que a ambição politica que poderia ter, não se coaduna com sapos que teria de engolir em benefício próprio ou de outrem ou, em nome da manutenção de uma qualquer cadeira, de um qualquer lugar, de um qualquer tacho. Tiro-lhe o chapéu. Pela coragem, pela demonstração de carácter, pela dignidade com que o fez, pela honra que demonstra ter. A partir de agora, o PS deixa de estar representado na Câmara Municipal. 

A partir de agora, o PS passa a estar representado apenas por quatro deputados na Assembleia Municipal. Tudo o resto, serão conjecturas especulativas. 

Em 2028, há nova eleição para a Concelhia. E em 2029, novas eleições autárquicas. Só o tempo poderá dizer o que irá ou não, acontecer. 

Até lá, que Sesimbra fale mais alto.




FONTE DA IMAGEM: historia-arte.com

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