Nesta que é a minha primeira crónica depois do dia 12 de Outubro, e conhecidos que são os resultados eleitorais sesimbrenses, poderia avançar com um conjunto de possíveis cenários pós-eleitorais, perante aquela que será a nova composição do executivo municipal e da Assembleia Municipal. Iniciar-se-á agora um novo mandato de 4 anos onde se espera que nenhum dos novos eleitos venha a defraudar aquela que foi a vontade popular: retirar maiorias (quebrando pela segunda vez uma ideia de continuidade), elegendo o mesmo número de candidatos por aquelas que são as três maiores forças politicas locais (e nacionais). Dizendo de outra maneira: foram eleitos para a Câmara Municipal 2 elementos da CDU, 2 elementos do Chega e 2 elementos do PS; foram eleitos para a Assembleia Municipal 6 elementos do Chega, 6 elementos do PS e 6 elementos da CDU. 

O PSD/CDS voltou a eleger para a Câmara Municipal e elegeu 3 elementos para a Assembleia Municipal. É um dos vencedores da noite eleitoral, sendo o terceiro melhor resultado de sempre da coligação PSD/CDS. 

A CDU, apesar de vencer a presidência da Câmara Municipal, regista a maior derrota de sempre. O Chega perde a presidência da Câmara por 147 votos. O PS ficou a 132 votos do Chega, apesar de registar o maior número de votos desde 2001. 

Da expressão (que marcou o último mandato) “sete a zero”, passámos a «dois a dois a dois mais um» (sendo que cada duo representa mais de 6 mil votos; mais de 6 mil eleitores). Direi que estão todos em pé de igualdade relativamente à representatividade que lhes foi atribuída. Significa que o novo executivo municipal será composto por dois eleitos em nome da “continuidade”, dois eleitos em nome do “Chega!”, dois eleitos em nome do “novo rumo” e, uma eleita em nome da “onda de mudança”. E agora? 

No dia em que escrevo, o silêncio impera. O que poderá ser um bom sinal. O silêncio. 

Não farei por isso qualquer tipo de consideração sobre o futuro. Prefiro aproveitar este sossego e esperar pelo que se avizinha e que poderá (assim o espero) ser tão surpreendente como os resultados eleitorais. Até porque acredito que nenhum dos eleitos que compõem o novo executivo municipal irá defraudar a vontade dos eleitores e constituir um renovado “Partido da Câmara”. O que se espera é um novo executivo carregado de diferenças, com visões, estratégias e sensibilidades distintas, que irá defender os interesses de Sesimbra e dos sesimbrenses, não embarcando numa suposta continuidade que, pela segunda vez, foi quebrada pelo voto popular. 

Aproveito por isso para abordar um outro tema: os deputados que foram eleitos para a Assembleia Municipal. O vencedor foi o Chega, em número de votos. O PS ficou a 223 votos do Chega e, a CDU, a 170 votos do PS. Cada um destes partidos elegeu 6 deputados municipais. O PSD/CDS elegeu três deputados. Saem da Assembleia Municipal o Bloco de Esquerda e o MSU (que não se apresentou a esta corrida autárquica). 

Se a regra fosse igual, seria o Chega a deter a presidência da Assembleia Municipal, uma vez que ganhou em número de votos. Mas, o Presidente da Assembleia Municipal não é eleito pelo voto popular; é eleito pelos deputados municipais. E nos deputados municipais estão incluídos os Presidentes das Juntas de Freguesia eleitos. Significa que, apesar do Chega ter vencido em número de votos, a CDU tem 8 eleitos (6 deputados e 2 Presidentes da Juntas de Freguesia – Santiago e Castelo) e, o Chega tem 7 eleitos (6 deputados e 1 Presidente de Junta de Freguesia – Quinta do Conde). E agora? Quem será o próximo Presidente da Assembleia Municipal? 

Importa referir que, para a Câmara Municipal, a maioria dos eleitores sesimbrenses não votaram CDU. A maioria dos eleitores sesimbrenses (mais de 63%), votaram Chega, PS e PSD/CDS. Para a Assembleia Municipal, a maioria dos eleitores sesimbrenses não votaram Chega. A maioria dos eleitores sesimbrenses (mais de 62%), votaram PS, CDU e PSD/CDS. 

E se, digo eu, dificilmente o Chega virá a presidir a Assembleia Municipal, na Câmara, apesar da presidência ser CDU, deverá a maioria eleita exercer essa maioria (tal como a exercerá na Assembleia Municipal). Na tal “onda de mudança”, num “novo rumo” porque “chega disto pá!” 

A Assembleia Municipal é o órgão fiscalizador do executivo municipal (da Câmara Municipal). E não sendo a presidência da Assembleia Municipal atribuída ao partido que venceu essa eleição (digo eu), considero que as presidências dos dois órgãos da soberania local deviam ser distintas. Melhor explicando: não existindo nenhuma maioria absoluta que garanta à partida a presidência do partido mais votado, o novo Presidente da Assembleia Municipal deveria ser de outra força politica que não aquela que venceu a Câmara Municipal. Para que seja de facto garantido o escrutínio, a pluralidade de opiniões e uma estratégia que consiga conciliar diferentes visões politicas. 

Direi que a eleição do novo Presidente da Assembleia Municipal permitirá antever o que serão os próximos 4 anos. Não apenas na Assembleia Municipal mas também, na Câmara Municipal. 

Confesso a minha curiosidade. Nomeadamente quando temas como, por exemplo, o Meco, a Mata de Sesimbra ou a Revisão do PDM, forem levadas a discussão e deliberação. Importará nessa altura, relembrar aquelas que foram as posições políticas e as promessas eleitorais e, aquelas que serão as posições e decisões tomadas. Serão 4 anos intensos. Que serão decisivos nos resultados de 2029. 

Termino com uma reflexão sobre as partilhas realizadas nas redes sociais de recandidatos, candidatos e candidatas em acções de campanha. Realçando apenas um partido que foi enquadrando essas partilhas com escolhas musicais diferenciadas: a CDU. Não tendo um hino especificamente criado para estas eleições autárquicas, a CDU presenteou-nos com a música de sempre e umas outras que surgiram pela primeira vez em campanha eleitoral. 

Não posso deixar de referir uma das escolhas musicais em particular: a música dos “Piratas das Caraíbas”. Escolher uma música de piratas para acompanhar as fotografias das candidatas, candidatos e recandidatos aos órgãos autárquicos, não lembraria a ninguém. 

A saga de filmes “Piratas das Caraíbas” relata as aventuras e desventuras de dois piratas: Hector Barbossa e Jack Sparrow. Sesimbra não está nas Caraíbas, não terá nenhum Barbossa ou Sparrow mas, teve piratas em tempos que já lá vão. Apresentar recandidatos, candidatos e candidatas aos órgãos do poder local, ao som de música de piratas terá sido apenas uma escolha infeliz, sem qualquer tipo de segundas interpretações. Afinal, a eleição não era para piratas mas sim para eleger os nossos representantes para os órgãos de soberania local. Enfim. 

Termino desejando a todos os eleitos e reeleitos, as melhores felicidades no desempenho das funções que lhes foram atribuídas pelo voto popular. A tomada de posse está marcada para o dia 30 de Outubro. Será no mês de Novembro que ocorrerá a atribuição de pelouros na Câmara Municipal e, a eleição da mesa da Assembleia Municipal e o respectivo Presidente. A coisa promete!



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