QUE LINDA IMAGEM NA ENTRADA DE SESIMBRA!
Partilho aqui o meu artigo de opinião publicado no Jornal "Raio de Luz", dia 30 de Junho de 2022.
Durante anos, naquele que era o cruzamento do Marco do Grilo, existiu um enorme painel publicitário, entre a entrada da estrada que segue para Sesimbra e a entrada da estrada que segue para a Lagoa de Albufeira. Foi, durante anos e anos, o único painel publicitário ali existente, sempre com a mesma mensagem: em tons laranjas e cinzentos, surgia a imagem de um canhão com a frase “Sesimbra, um concelho desnuclearizado”. Penso que terá sido algures na década de 90 que a mensagem foi retirada do painel e no seu lugar, começou a existir informação institucional, divulgando iniciativas ou actividades a decorrer ou a realizar no Concelho de Sesimbra.
O cruzamento foi substituído por uma rotunda e, nos últimos 4/5 anos o enorme painel publicitário institucional deixou progressivamente de estar sozinho. Actualmente são 15 os painéis publicitários existentes na rotunda do Marco do Grilo, localizados apenas dentro dos limites do Concelho de Sesimbra, divulgando estabelecimentos de fast-food, supermercados e propostas imobiliárias. Importa salientar que, na mesma rotunda mas dentro dos limites do Concelho do Seixal, existem apenas três painéis publicitários (dois institucionais e um outro que terá ficado esquecido depois do último acto eleitoral), todos localizados na direcção da estrada de Fernão Ferro.
Haverá com toda a certeza uma qualquer norma que regula este acumular de publicidade ao longo de uma via pública e que é a única entrada no Concelho de Sesimbra, de quem vem de norte, pela estrada de Fernão Ferro. E talvez seja essa a razão para que tanta publicidade tenha ocupado aquela área nos últimos 4/5 anos: alertar os automobilistas para o que existe em Sesimbra e que merecerá com toda a certeza uma maior atenção.
Confesso que não conheço outra terra onde, o seu principal acesso esteja sobrecarregado de painéis publicitários encavalitados ao redor de uma rotunda. E permitam-me até ironizar a questão: porque não encher a Estrada da Apostiça até à Carrasqueira com enormes painéis publicitários encavalitados uns em cima dos outros, anunciando tudo o que possa existir nessa direcção? E na direcção da Lagoa de Albufeira, o mesmo: encher a estrada até Alfarim com enormes painéis publicitários anunciando tudo o que possa existir naquela direcção. E se os automobilistas estiverem a sair de Sesimbra, aproveitem-se as costas dos painéis publicitários para introduzir outros, anunciando tudo o que possa existir na Quinta do Conde. E no Seixal. Ou em Almada. Ou até em Lisboa.
De acordo com a Tabela de Taxas Municipais do Concelho de Sesimbra, grosso modo, cada um daqueles painéis rende por ano, aos cofres camarários, cerca de 500 euros. Quer isto dizer que os actuais 15 painéis publicitários renderão 7 mil e 500 euros anuais aos cofres camarários. Imagine-se agora o cenário irónico que acima explanei: se os percursos (entre a Estrada da Apostiça e a Carrasqueira e, entre a rotunda do Marco do Grilo e Alfarim) forem adornados com enormes painéis publicitários encavalitados uns em cima dos outros, numa conta simples, renderão anualmente aos cofres camarários, cerca de 2 milhões de euros. 2 milhões de euros por ano dariam para intervir e recuperar muita da miserável rede viária do Concelho. Do que é que se está à espera? De várias coisas.
A primeira, será uma explicação por parte dos órgãos competentes sobre o porquê de autorizarem, durante os últimos 4/5 anos aquela invasão publicitária.
A segunda, será também uma explicação por parte dos órgãos competentes sobre qual é a norma existente que permite aquela ocupação que em nada dignifica a entrada principal do Concelho de Sesimbra e que é a ligação directa com a capital do país.
A terceira, será também e ainda, uma explicação por parte dos órgãos competentes sobre a estratégia definida para a promoção turística do Concelho de Sesimbra e em que medida é que esta imagem terceiro-mundista no seu principal acesso, contribui para a promoção do mesmo.
Sesimbra, assumindo-se como destino turístico, deveria primar pela imagem que oferece, logo à entrada do Concelho, a quem nos visita. E para um qualquer turista vindo de Lisboa, chegar à Vila de Sesimbra é de facto um autêntico cartão-de-visita apetecível e susceptível de ficar registado para sempre, na memória das férias. (O que pensarão os promotores imobiliários da Mata de Sesimbra, perante este espectáculo de painéis publicitários à entrada do Concelho de Sesimbra e, à entrada daqueles que virão a ser os seus empreendimentos turísticos?)
Urge elaborar e aprovar o futuro Regulamento de Ocupação de Via Pública, de acordo com a recomendação (com cerca de quatro anos) da Assembleia Municipal, que defina claramente regras de utilização daquele que é um espaço de todos e para todos. A publicidade deve ser regulada, integrando-se harmoniosamente no espaço público, e não, encavalitando mensagens publicitárias ilegíveis, que se transformam apenas em poluição visual e ambiental.
Urge definir uma estratégia de promoção e divulgação do destino Sesimbra, que não passará por permitir sem regra, o amontoar de painéis publicitários na entrada principal do Concelho de Sesimbra.
A entrada principal do Concelho de Sesimbra deveria, isso sim, publicitar as valências naturais, patrimoniais, culturais, gastronómicas e que fazem de Sesimbra um destino único e incomparável com os seus pares da Área Metropolitana de Lisboa. Deveria isso sim, publicitar por exemplo, a Estação Náutica (uma classificação que, sendo uma novidade para a maioria dos sesimbrenses, será completamente desconhecida para os turistas que visitam o Concelho).
É de facto de uma estratégia que Sesimbra necessita. Sabendo-se é claro, que a estratégia do Concelho de Sesimbra, para todas as matérias (habitação, acessibilidades, educação, saúde, turismo, natureza, mar, actividades económicas, pedreiras,…) estará plasmada naquele que será um “instrumento estratégico de excelência” e cuja elaboração decorre há 15 anos: a Revisão do PDM. Portanto, é só aguardar… pelos próximos mandatos. E talvez lá para 2030 a Revisão do PDM esteja publicada e em vigor... e completamente obsoleta e dependente de nova Revisão.
Comentários
Enviar um comentário