NARRATIVA FALSA PROMOVIDA POR SESIMBRA? INACREDITÁVEL! ABSOLUTAMENTE INACREDITÁVEL!!
Num artigo de opinião do jornal “Expresso” desta semana é referido o Plano Europeu de Acção contra a Desinformação, sendo que o mesmo considera (e transcrevo): “desinformação toda a narrativa comprovadamente falsa ou enganadora, criada, apresentada e divulgada para obter vantagens económicas ou para enganar deliberadamente o público, e que seja susceptível de causar um prejuízo público, nomeadamente ameaça aos processos políticos democráticos, aos processos de elaboração de políticas públicas e a bens públicos.”
Perdoem-me este enquadramento mas o mesmo é fundamental para o que vou descrever de seguida:
O jornal “Sem Mais” (distribuído com o jornal “Expresso”) integra esta semana um suplemento de oito páginas com o título “Caderno SES!MBRA”. Na primeira página (capa) surge em baixo, à direita e lateralmente a sigla “C.M.S.”. Pressuponho que se trata por isso de uma publicação da responsabilidade da Câmara Municipal de Sesimbra e que, integrando o jornal “Sem Mais”, terá uma visibilidade regional. Quer isto dizer que se trata de uma espécie de ‘publicidade paga’, sobre a qual o jornal “Sem Mais” será completamente alheio, nomeadamente quanto ao seu conteúdo.
Vou apenas referir-me às páginas centrais e que fotografei como ilustração deste post. Transcrevo uma das frases de abertura:
“O actual executivo da Câmara Municipal de Sesimbra apresenta um conjunto de 25 obras, nas mais diversas áreas de intervenção social, que considera essenciais e marcantes ao longo dos últimos quatro anos.”
(E aqui faço um parênteses para reforçar que se tratam de um conjunto de obras realizadas no último mandato). “São trabalhos que valeram a promoção do concelho e que fizeram do mesmo um dos destinos mais atrativos em todo o distrito.” Ou seja, graças a este conjunto de obras realizadas o Concelho de Sesimbra ficou valorizado e mais atractivo ao nível do distrito. E quais são as obras referenciadas?
Pasme-se. Pasme-se porque é absolutamente INACREDITÁVEL (e atente-se que todo o texto está construído no passado pelo que as obras estão feitas, executas, a funcionar).
Começo pois pelo grupo denominado “Justiça e Segurança”. Transcrevo:
"Neste campo avultam, entre outros, a construção do novo tribunal da comarca ou, por exemplo, o Posto Territorial da GNR na Quinta do Conde. Estas são obras que contribuíram, nos últimos anos, para uma melhoria no acesso à Justiça por parte da população de todo o concelho.”
Nem sei que diga. Pasme-se com a frase seguinte: “A estas obras, avaliadas em dezenas de milhares de euros, juntam-se, também, o edifício do Centro Operacional de Protecção Civil, equipamento estratégico de onde é feita a coordenação de todas as operações que possam envolver a segurança pública.”
Quer isto dizer que a população sesimbrense já tem o Tribunal concluído e em funcionamento e um Posto Territorial da GNR na Quinta do Conde também! (todos sabemos que quer o Tribunal, quer o Posto da GNR não têm sequer, uma perspectiva de execução). Mas o mais surpreendente é o reforço de que estas obras “contribuíram, nos últimos anos, para uma melhoria no acesso à Justiça por parte da população de todo o concelho.” INACREDITÁVEL! Quanto ao Centro Operacional de Protecção Civil, está prevista uma verba no orçamento municipal de 2021 para a sua implementação, sendo que a “coordenação de todas as operações que possam envolver a segurança pública” dificilmente ocorrerão num edifício actualmente inexistente. Absolutamente INACREDITÁVEL.
Num outro grupo denominado “Educação”, transcrevo:
“Um dos locais mais em evidência é o Auditório da Quinta do Conde, com capacidade para 200 pessoas, que custou cerca de 1,6 milhões de euros, e que é hoje um dos mais emblemáticos locais do concelho, onde se reúnem especialistas diversos.”
Pasme-se! O Auditório da Quinta do Conde está executado, em funcionamento e “é hoje um dos mais emblemáticos locais do concelho, onde se reúnem especialistas diversos.” (O programa de concurso para lançar a obra foi aprovado na última reunião de Câmara. Eventualmente, o Auditório irá estar concluído e em funcionamento lá para 2023!)
Atente-se no grupo denominado “Saúde”. Transcrevo:
“… há a salientar a construção do Centro de Saúde de Sesimbra. (…) Este novo equipamento tem, atualmente, capacidade para atender uma população de 11.400 pessoas.” (O Centro de Saúde está em caboucos: tem sapatas, pilares e pouco mais!)
E por fim o grupo denominado “Lazer e Turismo”. Transcrevo:
“… assumem particular evidência os trabalhos relacionados com as questões ambientais (…) releva-se o trabalho de recuperação efectuado em Vila Amália, no Parque da Mata.” (Apesar da adjudicação, não se vislumbram qualquer tipo de intervenções no Parque da Vila Amália!)
INACREDITÁVEL. ABSOLUTAMENTE INACREDITÁVEL.
É urgente um esclarecimento público, divulgado regionalmente. Não pode a entidade Câmara Municipal de Sesimbra elaborar uma narrativa comprovadamente falsa, divulgada para enganar deliberadamente o público a nível local e regional. Porque é a instituição Câmara Municipal de Sesimbra que é posta em causa, relativamente à sua credibilidade e idoneidade.
É urgente uma tomada de posição por parte das forças políticas que integram o executivo municipal, em especial do partido PS e da coligação PSD/CDS. É urgente a clarificação desta narrativa, desta distribuição regional sobre obras que não passam de promessas eleitorais e não, de iniciativas camarárias e realizadas no último mandato.
É urgente que a Assembleia Municipal de Sesimbra tome uma posição firme e esclarecedora, no âmbito do seu conjunto de competências, e da qual transcrevo apenas: “Acompanhar e fiscalizar a actividade da câmara municipal (…)”
Porque, a partir deste momento, tudo poderá ser verdadeiro ou falso. E se são as pessoas que fazem as entidades, também é verdade que é a Entidade que prevalece sobre as pessoas que a integram. Porque a Entidade prevalece; as pessoas vão e vêm. Que haja respeito pela Entidade que representam: a Câmara Municipal de Sesimbra.
É urgente e necessário que algo aconteça. O povo sesimbrense merece ser respeitado. Especialmente por aqueles que elege como seus representantes. Acresce a gravidade desta narrativa falsa ser distribuída regionalmente. Com que intenção?
Termino com algumas palavras do Editorial do jornal “Sem Mais”:
“a nossa democracia já deu provas de que os eleitores não andam a dormir e muito menos distraídos. (…) Que venham os anúncios dos projectos políticos para o futuro e as alternativas para que a populaça possa decidir em conformidade. Isso sim vale a pena.”
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